sábado, 30 de abril de 2011

Edição Extra Entrevista - Carlos Mota! | E também, notícias sobre o destino do blog...

Que todos sejam benvindos a mais uma edição do EEE, o Edição Extra Entrevista! O nosso convidado da vez é o artista Carlos Mota, brasileiro que ilustra histórias em quadrinhos Disney para a Europa, mais precisamente para a Dinamarca.

Ele começou sua carreira de desenhista Disney no final da saudosa produção nacional, e por isso teve pouco tempo para mostrar sua capacidade. Felizmente, foi "descoberto" por editores europeus que confiaram no seu potencial e lhe deram uma chance em uma das maiores escolas de quadrinhos Disney no mundo. 

Até o momento, o artista já produziu 59 histórias. Dessas, 14 foram feitas durante a produção nacional, o resto é formado por trabalhos publicados pela Holanda e Dinamarca, dessas HQs produzidas para a Europa, 35 delas continuam inéditas no Brasil. 

Mota já trabalhou com quase 30 roteiristas diferentes, e nessa lista estão presentes nomes conhecidos como Paul Halas, Mau Heymans, John Lustig, Gérson Teixeira e Geoffrey Blum. Este último roteirizou apenas três histórias que foram ilustradas por Mota, e em duas delas há relações com Carl Barks. A primeira, O Dia D (Tio Patinhas #454), teve o roteiro baseado em uma trama de Barks, e a segunda história, A Saga Do Capitão Trambolhão, (Pato Donald #2390) foi uma homenagem direta ao autor, que faz várias referências sobre fatos da vida dele. Para saber mais sobre essa história, veja a matéria que o Edição Extra Blog fez sobre a revista Pato Donald #2390.

Bem, acho que eu já falei demais. É melhor irmos parando por aqui, se não a entrevista fica sem graça, não é?

Clique para ampliar

Edição Extra: Fale um pouco sobre você
Carlos Mota: Meu nome é Carlos Mota, nasci no ano de 1969 na cidade de São José dos Campos (SP), aonde resido até hoje.
Segundo minha mãe, ganhei meus primeiros gibis aos 2 anos de idade (era uma revistinha do Bolinha e uma do Pato Donald).
Na época minha mãe trabalhava fora e me levava junto.  Para me distrair ela me dava algumas revistas em quadrinhos, e com o tempo percebeu que eu ficava horas e horas  folheando as páginas da revista e mergulhado naquele universo mágico dos personagens. Acredito que minha paixão pelos comics possa ter nascido daí.
Que eu me lembre desenho desde que conheci o lápis e a caneta.
Minha mãe (mais uma vez) me conta que já aos 4 anos de idade achei uma caneta no chão de casa e rabisquei toda a parede da sala na parte de trás da cortina (comecei direitinho, como nossos ancestrais faziam nas paredes das cavernas, rs). E assim foi até que ganhei meu primeiro caderno de desenho.
Recordo-me com clareza de ganhar vários gibis aos 4 e 5 anos de idade, e de ler as primeiras aventuras ilustradas pelo grande mestre Carl Barks aos 7 anos. Daí em diante, essa paixão pela família Pato e quadrinhos Disney só cresceu e o resto é história.
EE: Quando e como você começou nos quadrinhos Disney?
Mota: Trabalho com quadrinhos no mercado internacional desde 1995, mas meu início como profissional nos quadrinhos Disney se deu em 2000, quando fui apresentado ao Euclides Miyaura (o “Chin”), na época o editor chefe das revistas Disney na Abril.
Ele se interessou pelo meu trabalho somente quando lhe disseram que eu fazia “Barks”, rs.
EE: O que você fez quando a produção nacional de quadrinhos Disney se encerrou? Como surgiu essa oportunidade de produzir história para outro país?
Mota: Olha, quando isso aconteceu eu já trabalhava para a Disney Europa, e gradualmente minha produção para o mercado nacional estava diminuindo e infelizmente de propósito, dado o fato de que eu ganhava bem mais produzindo para o mercado internacional, então financeiramente isto não me afetou.
Mas é claro que eu fiquei muito triste quando me ligaram da Abril e pediram para “segurar” as estórias que tinha em mãos, pois não tinham certeza se elas seriam  produzidas.
Bem, mais ou menos em meados de 2001, ao meu pedido, um amigo nos EUA apresentou meu trabalho ao Sr. Byron Erickson, famoso editor das revistas Disney na Europa (editor do Don Rosa entre outros talentos).
Entrei em contato com o Sr. Byron e logo eu estava produzindo para a casa que publicava artes dos mais espetaculares artistas Disney de todos os tempos (na minha opinião, claro), como Daniel Branca, Daan Jippes, Vicar, entre outros.
EE: Como foi essa transição, do Brasil para o exterior?
Mota: Pra mim foi completamente natural, eu apenas tive de aprender a trabalhar com balões, coisa que nunca precisei fazer no Brasil.
EE: Enquanto desenhava no Brasil, você fez algumas HQs do Zé Carioca e do Mickey, mas hoje em dia, suas história são apenas da família Pato. Existe um motivo para isso? Um desenhista pode optar, por exemplo, de não ilustrar HQs do Mickey? Se especializar apenas em um universo?
Mota: As editoras européias estão acostumadas com artistas especialistas em um único grupo de personagens, embora eu já tenha apresentado páginas de teste de vários personagens Disney para as editoras com as quais eu trabalho, mas eles gostam tanto de minha arte na família Pato que não me sobraria tempo, mesmo que quisesse, para fazer estórias com estes outros personagens.
Mas eu já tive a alegria de ilustrar no fim dos anos 90 personagens clássicos Disney do cinema, como a Pequena Sereia, Aladdin e a Bela e a Fera, para a editora americana Acclaim Books.
EE: Falando em personagens, qual é o seu favorito? E o que mais gosta de desenhar?
Mota: Fica difícil eu apontar um único personagem que adore, mas no universo dos Patos, eu amo o Pato Donald.
Então ele é, provavelmente o que mais gosto de desenhar.
EE: Existe algum personagem que você nunca desenhou, mas tem vontade de desenhar?
Mota: Acho que no que se refere ao universo dos Patos já fiz de (quase) tudo.
Mas se houver a oportunidade, adoraria ilustrar estórias do professor Ludovico e do Pato Moby Duck (aqui no Brasil "Capitão Mobidique).
Embora ainda dentro do permitido no universo da família Pato, eu possa escolher (desde que mantenha minha produção do Donald e Patinhas em dia, rs).
Por exemplo, eu sempre quis desenhar alguma pequena aventura com a Vovó Donalda e seu dia a dia no sítio, então bastou dizer isso a minha chefe que em duas semanas eu tinha em mãos algumas estórias curtas da personagem para ilustrar.
EE: Atualmente, o seu traço está bem diferente do que seu traço nos anos 2000. Foi uma imposição da editora, ou você apenas aprimorou suas técnicas de desenho?
Mota: Acho que isso ocorreu de uma forma bem natural, os artistas competem entre si (de maneira saudável, rs), e sempre buscamos evoluir de um modo que agrade tanto a nós mesmos quanto aos editores e leitores.
EE: Aproveitando a deixa do traço, os fãs discutem muito as diferenças entre os traços clássicos (Carl Barks e Paul Murry) e os traços dos artistas italianos. O que você acha do estilo italiano de desenhar? Tem a curiosidade/vontade de experimentar algum dia?
Mota: Eu cresci lendo e desenhando Barks, essa é a minha maior influência e paixão, por isso sempre vou amar os clássicos.
Mas eu gosto bastante do estilo italiano, acredito que Giorgio Cavazzano seja um dos maiores artistas dos quadrinhos Disney de todos os tempos, mas já tem muitos outros talentos que seguem seu estilo, então prefiro me manter apenas como fã/leitor do estilo Cavazzano.
EE: A Egmont suspendeu/proibiu a produção de histórias de alguns personagens, como o Professor Ludovico ou o Capitão Bóing. O que você acha das atitudes que algumas editoras tomam em querer "matar" o personagem?
Mota: Essas decisões acontecem em vários países e por razões diversas, e a escolha dos personagens que ficam ou saem depende da tradição que cada editora tem em seu país.
E a Egmont é uma editora bastante tradicionalista.
Eu, particularmente gostaria de ver personagens como os que você citou juntos aos universo do Barks, mas infelizmente minha vontade, neste caso, não faz diferença.
EE: Você acompanha os quadrinhos Disney no Brasil? Atualmente, este mercado está se fortalecendo, e com esse crescimento, os fãs acham que dá para a produção nacional retornar. Se a Abril lhe convidasse para voltar a produzir histórias nacionais, você toparia?
Mota: Bem, eu ficaria muito feliz se a Abril retomasse a produção de material nacional inédito, e também ficaria feliz em poder voltar a desenhar para eles, desde que me pagassem de acordo.
EE: E você concordaria em voltar a ilustrar aventuras do Zé Carioca e do Mickey, ou só trabalharia com a família Pato?
Mota: Ah, eu adoraria ilustrar aventuras do Zé Carioca, ou do Mickey.
Fico curioso, por exemplo, em saber como ficaria o resultado do meu trabalho no Zé, com meu estilo atual.
EE: Você apenas desenha, correto? Já tentou ou teve vontade de escrever o roteiro de alguma história?
Mota: Sim eu já tive vontade de escrever.
Na verdade até já esbocei algumas idéias de estórias para a família Pato, mas me falta tempo para aprimorar os roteiros, entende?
Não sou roteirista, então nem sei direito como este processo funciona para eles, embora acredite que varie de rosteirsta para roteirista... tenho apenas a idéia básica para algumas estórias, começo, meio e fim, mas falta o recheio, diálogos etc.
A Egmont já mostrou interesse em uma idéia minha, para uma saga enorme com os Patos envolvidos em uma estória marítima, com piratas fantasmas e tal, mas como eu disse anteriormente, me falta tempo para concluir isto.
EE: Você costuma trabalhar com apenas um roteirista, ou é algo variado? É a editora que define o roteirista com que você vai trabalhar, ou é de livre escolha dos artistas?
Mota: Eu trabalho com vários roteiristas diferentes, mas embora alguns deles tenham manifestado vontade de me ter como artista regular de suas estórias, as editoras européias preferem fazer um revezamento, assim todos os roteiristas que produzirem boas estórias terão a oportunidade de trabalhar com os melhores artistas da casa.
Mas se eu quiser trabalhar com algum roteirista especifico, basta escrever para o editor e pedir.
EE: Porque a produção dinamarquesa geralmente é focada em produzir história mais curtas, mais caseiras? Por quê não são produzidas aventuras mais longas com frequência? 
Mota: Isso é uma decisão interna, mas não significa que esporadicamente não possam ser produzidas  grandes aventuras pela casa.
Mas em compensação, a Sanoma (editora Disney holandesa) costuma me dar roteiros com aventuras mais longas, como as antigas estórias do Barks.
Em tempo, provavelmente vocês nunca lerão as estórias que produzo para a Holanda, pois a Abril não compra material deste país (infelizmente).
EE: Conte para nós como funciona a produção de uma história.
Mota: Bem, os roteiros são selecionados para mim pelos editores com os quais trabalho e enviados por e-mail.
Eles me dão um prazo que varia de estória para estória, pode ser de 20 dias para apresentação do lápis + 20 dias para a arte final, embora isso dependa da quantidade de  páginas.
As estórias “regulares” variam de 6 a 16 páginas, tem as piadinhas curtas, de 1 a 3 páginas, e também as grandes sagas que são divididas em capítulos.
Normalmente (nas estórias regulares) eles me dão o tempo que eu quiser para produzir as páginas, e esse é um direito que conquistei com o tempo.
Para os balões há uma escala de tamanhos que cada artista amplia ou reduz de acordo com o tamanho em que apresenta a arte original.
Essa escala nos permite calcular o espaço correto para o tanto de letras que o diálogo daquele balão necessita.
Antes os desenhos originais eram enviados as editoras, mas atualmente os artistas digitalizam o material original e os envia pela internet.
A primeira editora a adotar este padrão de envio comigo foi a Sanoma (Holanda).
EE: Tem alguma aventura que você desenhou e que tenha gostado mais que as outras? E tem alguma de outro artista que também seja inesquecível?
Mota: Eu gosto mais quando as estórias se passam em florestas, desertos, montanhas ou parques, então uma das que mais curti fazer foi "The Camp Out" para a Dinamarca (ainda inédita no Brasil), mas também teve a "The okra season" que saiu aqui no Brasil com o título de "Com mil quiabos".
Essas aventuras normalmente são as minhas preferidas, embora a maioria das vezes as estórias sejam as que retratem o cotidiano "urbano" da família Pato.
Tem várias de outros artistas que eu amo e se tornaram inesquecíveis, poderia citar várias de artistas como o Daniel Branca ou o Daan Jippes, por exemplo, mas vou citar uma do Barks que me ganhou desde que li pela primeira vez numa revista do Pato Donald em 1987, e que aqui no Brasil se chamou "Tempo de Férias" (depois republicado em "Os Melhores da Disney" no. 32).
EE:    Uma curiosidade pessoal, existe alguma regra dentro das editoras, que limitem HQs onde Mickey e Donald participem juntos? Elas são tão raras hoje em dia, que fica dificil imaginar que as editoras não se esforcem para manter os dois personagens em universos quase que isolados. Pode nos contar alguma coisa sobre isso?

Mota: Não acredito que estes encontros sejam regrados pelos editores, uma boa idéia sempre é aproveitada, talvez apenas sejam escassos os roteiros que juntem estes dois personagens.
EE: Pra finalizar, gostaria de dizer algo para os seus fãs?

Mota: Deixo um grande abraço a todos os leitores brasieliros das revistas Disney, e que agradeço por prestigiarem os trabalhos dos artistas nacionais, tanto quanto os talentos estrangeiros.

E no mais meu caro, saiba que foi uma grande satisfação responder a sua entrevista, muito obrigado pela oportunidade de falar aos leitores do seu blog.


Caricatura de Carlos Mota desenhada pelo holandês Jan-Roman Pikula
Nós, fãs e leitores, é que agradecemos a sua vontade de conversar conosco. Carlos também deixou um email para contato, kleber.azevedo@yahoo.com. É do irmão dele, que cuida dos assuntos de internet para ele, então, se tiver algo a dizer para o Carlos, pode usar este email.

Eu gostaria muito de agradecer ao Thiago Machuca, do excelente site Portallos, que me ajudou na entrevista me passando várias sugestões de perguntas, quase todas aproveitadas aqui. Também agradeço à colorista e ilustradora Cris Alencar, que me "conectou" com o Carlos. A entrevista talvez jamais tivesse saído, se não fosse pela Cris, e também não teria muita qualidade se não fosse pela ajuda do Thiago. Obrigado aos dois.

Arte ilustrada por Carlos Mota e colorida por Cris Alencar
No título deste post, vocês podem observar que também trarei aqui notícias sobre o destino do blog. Bom, ao que parece, eu vou ter que deixar o Edição Extra. Não tenho mais tempo para nada, e se for pra fazer uma postagem por mês, melhor nem fazer. Eu não gostaria de deixar o blog às moscas, e por isso, eu passo todo o blog ao Rogelho, que já vinha me ajudando aqui há tempos.

Sim, esse é o meu adeus do mundo dos blogs. Espero que tenham gostado dessa postagem de despedida, deu um trabalhão mas acho que valeu a pena. Até a próxima!

Todas as imagens aqui apresentadas foram cedidas por Carlos Mota, com exceção da última, que foi retirada do blog da Cris Alencar.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Novo Edição Extra Entrevista em breve!



Depois de Fausto Vitaliano e Massimo Fecchi, um artista brasileiro será o convidado para participar do Edição Extra Entrevista. Se vocês gostaram das outras, não perdem por esperar! Apenas quem participa do Fórum Projeto Inducks e da comunidade Quadrinhos Disney! no Orkut sabe de quem eu estou falando. E pra quem ainda não soube, só vou dar uma dica: ele desenhou as ilustrações que abrem e fecham este post!

E aí, descobriu?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Algumas capas da BOOM! Studios...

A atual editora que publica os quadrinhos Disney nos Estados Unidos, a BOOM! Studios, (que recém nomeou a sua divisão infanto-juvenil para kaboom!) vem publicando em suas revistas algumas das mais belas capas Disney de todos os tempos. Aprecie aqui uma seleção com as dez melhores capas dos últimos meses, dessa editora que assumiu as publicações Disney, há quase 2 anos (Clique para ampliar).

Walt Disney's Comics #715
Walt Disney's Comics #716
Walt Disney's Comics #717
Donald Duck #363
Donald Duck #364
Donald Duck #365
Donald Duck #366
Uncle Scrooge #400
Uncle Scrooge #401
Uncle Scrooge #402
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